sexta-feira, 18 de março de 2011

Do seu ontem.

Quando penso que estou chegando, logo me engano afinal mais dois lances de escada me esperam para então chegar a porta em que me abrigo, porta essa em que invado e espio pela sacada as ruas, a natureza o fraco movimento das pessoas que pelas ruas andam e então começo a enxergar nós dois, quando possuíamos uma liberdade afetiva fora do comum, da amizade que para muitos já não era novidade que escondia, um lance, um romance e que então o vento levou. Lembro tudo, como se mentalmente ainda estivesse vivendo, você com seus quase 1,90 robusto e o sorriso sempre no rosto me fazendo rir, sim eu tão pequenininha e com o sorriso do tamanho do mundo. Sabia eu que aqueles momentos que não me davam garantia de nada que iria acontecer futuramente, mas o presente não me fazia importar com o futuro que me reservava até então. Optei por viver nós dois, adorava quando você me chamava pelo diminutivo do meu nome, parecia tão pouco, mas era tão único e de tamanho vigor a mim. Tinha enorme paixão pelo jeitinho do seu cabelo, e era de minha profunda adoração emaranhar meus dedos por entre teus cabelos e fazer um cafuné que ambos gostavam. Saindo do acaso, nossos beijos se encaixavam perfeitamente, lábios diretos, incrível conexão que nunca tinha conhecido. Teu jeito único de pedir desculpas, como esquecer? Impossível. Querido e sempre com o astral nas alturas, parecia que nada e nem nunca iam te fazer fechar a cara. Tão lindo pra mim e também para muitas outras, que no fundo eu sentia o ego gritar, por ter encontrado alguém tão extraordinário, tão brilhante e que com isso me fazia sentir da mesma forma. Não podia te ver passar com aquele seu casaco xadrez que eu te amava mais, sim tal peça caia perfeitamente a você, seu físico e estilo. Manias a parte, impossível não se deixar envolver em tudo que era de seu gosto. Lembro até de sua mania de ficar girando as chaves quando junto de você estava o chaveiro, pra mim era único também a forma de pegar o telefone celular, ao qual um dos dedos sempre ficava em pé. Tanta lembrança, que é impossível entrar na padaria olhar para os pastéis e não chegar com o pensamento até você e saber que um não ia ser necessário. Mas no fim das contas mesmo o que mais me comove e mexe comigo é o não poder, não querer e não mais insistir e apenas te reservar nas minhas memórias boas, e perceber o quanto nós fomos bons juntos. Por mais que a felicidade me fuja às mãos, não caberia a mim ser tola mais uma vez. Não posso, mas ainda olho as nossas fotos, as quais você nem sabe da existência e sim, vejo muita coisa que ainda esta por acontecer. Eu que fui seu ontem, já não sou seu hoje, quem sabe futuramente, mas em futuro mais além, reapareça no seu amanhã. Não é um recado, mas sim o que as sensações me indicam, porém não me fazem crer. Beijos e imensas saudades do seu ontem que ainda sim, sem mesmo querer te concede o sentimento de amor.

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